terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Adiosnísio

Introdução

Musiquinha de fundo para Dionísio vir lá do fundo em ritmo de funk:

a primeira faz BRO!
a segunda faz CHAN!
e TE, TE, TE, TEEEEE... FODE!

Desenvolvimento

João, sem qualquer fantasia, encontra Maria vestida de tartaruga ninja azul no carnaval:

- Olá meu amorzinho!
- Que nada maluco! Amorzinho de carnaval de cu é rola!
E novamente ao som de funk João responde:
- AN-HAN, AN-HAN, AN-HAN! DÁ, DÁ, DÁ!?
- Toma esse beijinho e despacha logo daqui. Carnaval é solidão coletiva, liberdade carnal e para isso vale tudo nos quatro dias. E continua explicando Maria:
Pode mandar a consciência desfilar nua e de quatro;
Pode trepar com as pedras que haviam no meio do caminho;
Pode gerar atritos sem leis e quaisquer delays de efeito e causa;
Pode beijar em nome do pop, do fino e do espeto de frango;
Pode se engolir todas as chuvas de sapos de São Pedro.

Conclusão

Até as putas que um dia nos empareou têm coragem de mandar vários Nós-de-361-dias pegarem os sabonetes deixados no chão das próprias prisões.
À todas as tartarugas ninjas foragidas da Sala da Justiça, minhas últimas palavras para os seus próximos, mais de quatrocentos menos quarenta, dias de volta ao esgoto:

"EU ACHO É POUCO É BOM DEMAIS!"

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

...Tom.

Violeta,

Tenho sede de pressa
Mas o Branco me diz que devo esperar pelo Azul
mesmo que ainda esteja verde
encaracolado entre cachos vermelhos recém-pintados.

Todo fruto tem seu tempo para por o pé no chão.
Todo fruto tem seu tempo para por o pé no céu.
Principalmente aqueles que têm medo de alimentar as suas certezas...

Deixemos que se nutram de falsas liberdades e de belas mentiras
para que aprendam a desenhar a história das próprias verdades.

A natureza desde de sempre já gritará:
Vermelho! Violeta com verde,
mais dia ou menos dia,
Será azul.

Está claro ou mais escuro?

"Tudo" é uma questão de TOM.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Mandala

Mandala azul celeste
Olha
que aonde estou não estou na sua frente.

Olha eu aqui em cima!
É aqui que eu habito,
no seu céu,
colhendo com dedo frutos tirados do pé.

Para chegar Aqui
tive que passar Por-dentro-de-mim,
inclusive pelas formigas e excessos de galhos,
tive que usar a minha mão-natureza...
A velha escada da casa-da-árvore.

Aqui se larga o prato, o garfo e a faca.
Aqui se chupa manga com leite, casca, cabelo e caroço.
Aqui se vive o cheiro ainda verde de tudo que há aqui.

Aqui meu chão caminha junto com o seu espaço,
Aqui sei o que não chega e o que sai dos meus poros
...
um cheiro salgadim, dim-dim de saudade,
um beijo docim, sim-sim de dedão
polegar
...
bem bem bem...
tocado!
Que quando indicar a testa do seu céu,
apontará à entrada da noite
...
o centro de uma ampulheta de energia
que passa
sem areia
sutil
...
Toma mandala azul celeste
um pouco de chuva-de-estrela
de minha energia em querer a...
mar
...
permita-me lu-bri-ficar o hímen da tua liberdade
onde nada,
somente a lembrança do tato,
saberá que um dia um certo anjo do céu
se precipitou,
rompeu
e derramou lágrimas brancas
em letras vermelhas
sobre o seu olhar azul celeste
para
Aqui
silenciar
o além

de você

em você
em paz

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Açude de oceanos...

Misterioso?

Índico,
negro, judeu...
sou obrigado a ser anjo
a preservar a pureza descrente do
ser
Seu passado
um raro objeto que se foi...
perdido
no cofre de mais um
templo, campo, navio
de guerra
naufragado.

Morreram todos,
comandantes e vírus,
nós,
caracóis indigentes,
submersos no inconsciente...
abismo glacial
coletivo.

Ciclo...

e só por isso
vida

ainda
cromo...
Somos recifes de corais
seres participantes do
ecossistema
na imensidão do Atlântico,
porto natural
anti-sistema,
açude de oceanos,
pacífico.

domingo, 16 de novembro de 2008

Abacaxi?

Senhorita Será,

Independente do sexo... Todo o Homo Sapiens que se preze já acordou com a bexiga de pé... Erectus... Gritando BOM DIA antes mesmo da própria mente parir... E deu tanta importância à condição "de saco cheio" da genitália que, para conseguir logo acalmá-la, desprezou a existência das demais partes de si, por exemplo... Os olhos... Virou cego em procissão... Máquina de fazer romaria ao santuário da urina-de-todo-santo-dia... Não dando a menor atenção, ao menos antes de partir para a peregrinação do xixi, ao momento mais mágico da manhã... Ao instante da reabertura das pálpebras... Ou ao natural ponto de transição entre a vida do faz-de-conta e o canto da vida íntima... Expondo à luz o par de pupilas dilatadas, sem qualquer cerimônia de abertura... Atendendo a desejos primitivos e ordinários... Não percebendo que pela suas janelas ciliares havia liberado todos os seus óvulos oculares ao bombardeio de milhões de raios de espermas solares, igualmente como fazem em vídeos pornôs as atrizes com as suas vaginas... Transformando o que poderiam ser grandes-imagens-daquele-dia em vulgares-imagens-de-mais-um-dia...

Mas então eu te digo Senhorita Será... Seja criativa ou a própria criação... Pare de te condicionar a banalidades... Pois te enganas ao achares imenso o teu esforço de correr o mais rápido ao banheiro... Eis uma óbvia decisão... Engana-te ao despejar todos os teus sonhos de uma noite sobre mais um vaso sanitário... Grande merda!

Peço-te licença... Permitas-me uma recomendação... Não te mexas... Permaneças como estás... Descoberta... De bruços e membros abertos... Folgada como sempre... Invadindo todos os hemisférios da nossa cama... Por um momento te peço que esqueças dos meus cabelos e do teu sexo... Que agora sejas a pura inocência ou a sonsa que, de vez em quando, sei que gostas de ser... Porque aí deitada... Estátua... Viras história... Representarás a própria memória e saudades das tuas brincadeiras de infância... Batatinha frita: um, dois, três... Abacaxi? XI-XI... Até "seu rei mandar dizer" que finjas ao teu pai-companheiro que és um bebê... Faças-lhe saber que além de nossa mulher, também és aquela mesma criança... E após ansiosa espera... de olhos fechados já trêmulos... Quando ele colocar a mão recém acordada por dentro da tua fralda de algodão... Checando o nível da tua lubrificação... Saberás que aquele é o exato momento em que a vida vai estar te reintegrando à liberdade condicional de fazer pipi na cama... Até que a última gotícula de arrepios te abra lentamente os olhos para uma face surpresa de desejo e de gratidão... Reais.

Apartheid do Participando Composto...

Letra: e se tiver ou se não foi?
Melodia: quando é ou não veio?
Harmonia: como vai ou não quis?

Maestrando,
Sol na clave de Fá!
SOFÁ?
Mi em cima de ti sem dó sustenido maior,
Ou...
Ré em baixo de si aumentado?

Lombrarde,
Qual foste a música!?

Eu cantaste em negrito...


Tu escrevo em itálico?

sábado, 15 de novembro de 2008

JORNAL INSÔNIA, Coluna Social, "Um Voyeur da Madrugada..."

Colunista: David Sobel

No centro acústico da reverberação alheia: em "Campina da Boca Grande", direto do mais alto ouvido de um prédio com três andares localizado no epicentro da língua da cidade, iniciou-se um envolvimento entre: o Som “da necessidade do silêncio”, o Som “da necessidade do som” e o Som “da necessidade do sono"...

Som “da necessidade do silêncio”
...
Som de cooler,
Som de freegobar,
Som de ventilador,
Som de escada,
Som de ausência do motor e das correntes do elevador dos pais,
Som de saudade de som.

Som “de Olhos Fechados”
...
Som de sirene do carro de lixo,
Som de apito dos vigilantes,
Som de cães...
Som de paranóia,
Som de gatas...
Som de cio,
...
Som "de Transitoriedade das Cores"
...
Som de galo...
Som de coronéis,
Som de passarinhos...
Som de softwares livres,
Som de sampler de “bom-dia!”.

Som “da necessidade do som”
...
Som de “tic” nervoso da cadeira,
Som de estalar os ossos dos ouvidos,
Som de assobiar uma melodia vulgar,
Som de espirros dos livros e das fitas cassetes,
Som de coçar as escamas de suor,
Som de respirar forte quando não esquecer de respirar,
Som de pressionar com a língua o bafo de cigarro entre os dentes da janta,
Som de dialogar com uma composição ainda no ventre.

Som “da necessidade do sono”
...
Som de inspiração do Som “da necessidade do silêncio”,
Som de transpiração do Som “da necessidade do som”.