segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Vossa Emergência

- Noooooossa! Que lugar chi-quér-ri-mo!
Parece a morada da princesa Diana! Per-fei...

TOWNNNNN! Escuta-se um forte barulho.

...
Desarmada da bengala
tradicional cega em tiroteio
Brasileida
corre em destino estrangeiro
tropeça no meio fio da História

derruba os óculos de sol
recoloca os graus nos olhos
aluga condução particular
pede ordens ao primeiro branco:
- Volta e vira a primeira a direita!
dá marcha ré sem retrovisor
quase bate em continência
freia forte
não prevê a vinda da luz vermelha
derrapa os pneus

para

respira abaixo do semáforo
acima da faixa branca

Automática
abaixa meia janela do carro
Importada
exporta um sorriso diplomático
pousa para o policial do apito
promete emprego ao pedinte
pede perdão aos poucos pedestres

só negros

O sinal para de sangrar
Brasileida não sai mais para a direita
nem entra a esquerda
Socialyte emergente
segue incolor...
se reconhece nos subtons da tataravó
Senhora Sula Afriqueila.

sábado, 3 de outubro de 2009

Arco-íris de Saudade

Hoje acordei com muito frio
Com imensa vontade em me revestir de pano
Cobrir-me a alma com água do Mar
Daquele velho açude de oceanos.

Hoje caminhei com vontade de chuver pra cima
Mas só havia chão aonde eu pudesse escorrer
Por mais que a rua escutasse os compassos dos meus órgãos
a terra não tem mais vontade de ser repercussão da alma

E para alcançar meu pano, meu mar, meu açude e minha chuva
restou-me tocar os colírios da flora vespertida
até que um lago de lágrimas caisse do meu céu
espalhando retalhos de pétalas coloridas
espelhando um arco-íris de galhos retorcidos
POR MUITA SAUDADE.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Nóis

...
E cada vez mais confuso,

o NÃO
pela milésima vez questionou ao SIM:

- Devo ME compreender pra compreender VOCÊ?

E o SIM
pela milésima vez respondeu ao NÃO:

- Olhando pra você, VOCÊ ME VÊ?
...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

"artista",

O PRO ou o COM
adverte

Cidadão
não se
não me
afirme
mais
ser
fazedor
da Arte

QUEM FAZ ARTE É A HISTÓRIA
.

sobrevivamos...

terça-feira, 19 de maio de 2009

Confúcio?

Xangô,

Por mais que eu me embriague de preto e vermelho... os últimos finais de semanas regados por chuva, lua cheia e mar insistem-me inspirar Exú mais mãe Iemanjá... e também transpirar o céu azul com rosas brancas... como se catucassem meus restos de dúvidas para colher mais certezas... as insustentáveis levezas do ser...

Entre finais cheios de semanas e semânticas que ressacam e ressecam, assobiam para dentro, tragam fumaças de poeiras, acúmulos do tempo entopem os bueros dos nossos poros... nos prendem os espirros mais fortes... implodem os timbanos... transbordam de energias os chacras... lavando certas vontades... elevando-nos em vapores de lágrimas pelos ralos... pelos canos e cânones do céu... condensando-nos em nuvens de chocalhos... em seios grávidos... em frutos recém-maduros... em noites trovoadas por tambores silenciosos... Irradiando-nos os sons de todos os SINS... tocando os tlin-TLINS dos sinos universais...

São sons capitalizados por companhias energéticas não privatizadas... Águas-de-cheiro... Cremes arenosos... Pedras sabão... Feitos de ervas finas temperados com sal a gosto... Como uma onda no mar...

Muito Confúcio para meu orixá? Apenas sinestesias da vida vermelho e branco para além da morte.

sábado, 28 de março de 2009

quinta-feira, 19 de março de 2009

Embaixo do tapete vermelho...

Em tempos de silêncio capital
pós-carnaval
somos retalhos de fantasias financeiras
restos de personagem de palhaço
lisos, rocos, molhados
como é dificil se desmascarar
voltar a ser gado
ser a mais pobre rima da palavra desempregado

Para andarmos no reino de príncipes e de gênios da lâmpada
joguemo-nos em último pedido embaixo de um tapete vermelho
voador
interplanetário
hollywoodiano

Hoje somos kombeiros clandestinos de desenho animado
ADO, ADO, ADO
CADA UM COM O SEU PIRATEADO

voamos como poeira de purpurina pelos espaços
vivemos a saudar todos os espirros que nos seguem o passo

Mais baixo o preço do petróleo
mais alta a taxa do passe-livre que nos cobram
cara?
de pau em pau
os presidentes enchem a pança do povo de papo
cultivando a cultura e a sua inércia
com comédias
"OXE MAINHA!"

Senhores críticos, cults e intelectuais
não se enganem
o roteiro da "Paixão de Cristo"
há 2009 menos 33 anos nos revela
a massa é sadomasoquista
e vouyer como vocês
que nos pisem
e nos arranquem o coro pelas costas
nós sofre
nós morre
nós não ressuscita
mas alguém goza

Talvez só um outro toró de tijolo
uma trepada com um pé d'água
um novo dilúvio na veia
podem nos lavar todo cimento da História
pois só as nuvens inundam de ardores os cortes
só as grandes chuvas coçam com as unhas a cura

São essas as sensações que nos apontam para os próximos saltos
sejam com tênis pseudoamericanos
com percatas pseudohavaianas
ou inté descalços

Já não importa a ferradura
nem a origem do cavalo
nem o porte do seu montador
nem peia do seu proprietário

quanto pesam todos os pés
sem a soma dos sonhos de seus apostadores?

Desde de crianças estamos na moda verão-inverno
vestindo camisinhas de coro de pica
"nem fodemos, nem saimos de cima!"

parecemos Rambos revestidos de Gandhis
metralhadoras giratórias sem balas
que só falam, falam e
SÓ FALAM

estamos mais filmes do que firmes
mais "de mentira" do que "de verdade"
bem menos "o mocinho" do que "o bandido"

Miro, admiro, mas admito,
para certos sentidos coletivos,
eu não mais existo

observo, cerco, mas não sirvo,
para certos olhos ressecados,
eu não mais colírio

Sequela?

impaciência

gatilhos de arma
cala
engatilham a quinta
marcha

Gastem todas as palavras
em movimento
para no próximo “era uma vez”
se cansarem mais em ação

Usurparam toda esquizofrenia da nossa razão

os próximos rumos já estão pintados
de alvo e rubro
NÁUTICO!? BANGU!?

Até cu de bebo já tem dono

apenas nadem e torçam
o nariz
para não morrerem na próxima praia
como estrelas cadentes de cinema pornô
em quarta-feira de cinzas

sem o uso do último pedido
e privados do próprio segredo.