segunda-feira, 9 de março de 2009

Em cena desconcertante...

Como é marcante encenar histórias desconcertantes! Deve ser porque as suas vivências ao tempo que nos destrói, também reconstrói, nos coloca diante o inverso do universo, cai de paraquedas trepando sobre as nossas costas já nos chamando pelo apelido mais cabeludo da infância, exatamente para todas as nossas criações de agora se desconcertarem com as de ontem.

É como ver uma freira vestida de fio dental rezando de quatro já aguardando a penitência e a salvação para o próximo ato. Se deparar com momentos desconcertantes provoca perda de memória presente, e ao mesmo tempo a construção recorde de nossos museus dentro da mente. Vivas às improvisações! Pois em física nos retiram o doce do salgado; em química, a base do ácido; em meio a nada, só ao susto, fazem o disparo de todas as defesas e tentam a fuga de ataques ultrasurpresas... Olham, por exemplo, para o inevitável "Oi, tudo bem?" com a JÁ reacompanhada ex-namorada e fazem-nos engolir o tempo-espaço a palo seco. São momentos em que automaticamente fotografamos e somos fotografados, que sugam quase todo o nosso ar, reenquadram toda ação, impõem um sorriso no retrato... E nos revelam o grande "Xis!" da questão.

E depois correndo para olhar a já revelada fotografia em passado, ainda voltamos a sorrir desconcertado observando a nossa fraca atuação... Como também a falta de pré-produção para as próximas pós-produções. E então nos questionamos:
- Por que ficamos totalmente "errados" em sorrir pelo avesso?

Alguns seres que se acham inteligentes poderiam responder essa pergunta com outra pergunta:
- Por que nos acostumamos a prevê a própria história?

Eu, pessoalmente, também "fico com a pureza da resposta das crianças" que certo dia questionarão os seus pais:
Por que não nos ensinaram a sorrir com naturalidade para os ruídos da natureza?

- "... BOM DIA CAROS OUVINTES! SEGUNDO OS INSTITUTOS DE METEOROLOGIA: HOJE VAI CHOVER FORTE DURANTE TODO O SÁBADO DE CARNAVAL NA CAPITAL PERNAMBUCANA..."

Se não aquenta... Pa quê vêio!?

terça-feira, 3 de março de 2009

Entre ossos e sonhos...

"Eu sou feita de sonhos tanto quanto sou feita de ossos"
(Capricórnio, 03.2009)

Me parece que
na praça da Bandeira
na noite de sexta-feira
a sopa de Capricórnio não foi feita
para todas os pombos pousarem...

Apenas para os que voam em silêncio
com respeito e classe
sem quaisquer ruídos ou bater de asas...
com pousos e olhares firmes,
únicos,
quase cegos,
corujas,
cheios de carências, curiosidades e mistérios.

Quem é da noite
gosta de ser personagem das próprias histórias
ser o sapato esquecido do conto de fadas ou
o grande peixe encontrado na boca dos pescadores.

Quem é da noite
Gosta de olhar ou de ser olhado pelos olhos da noite.
Gosta de mostrar suas maquiagens e máscaras
borradas ou iluminadas?
Personalizadas!

Quem é da noite
Acredita ter o total auto-controle,
ter as cores e as horas certas para se ligar na vida
e guarda sempre uma margem de incerteza para o final.

Quem é da noite
conhece as leis da lua,
sabe quando/onde se meter, mandar e até obedecer.
Quem é da noite faz seus maiores amores na escuridão,
com poucas velas,
em esquinas, becos ou vielas.
Quem é da noite já andou a pé pelas sombras,
gosta de sentir medo, vida, morte e liberdade.
Quem é da noite
do dia só lembra em ter que acordar.

Em contrapartida,
sem contagem regressiva, jogos pirotécnicos e tin-tins de taças,
quem é da noite tem que aprender a prevê o próprio tempo
de sobriedade, embreaguez e esquecimento...
O exato momento da despedida.

Quem é da noite
valoriza em ser cuidado sem licença prévia,
vive no "o que vier é lucro".

Quem é da noite
finge que se preocupa mais com a ação do que com a intenção,
troca o visceral pelo incerto,
cresce sem raios de reciprocidades artificiais...
sem luzes e sombras de alianças.

Entre ossos e sonhos,
resta a libra da tarde
tomar a sopa de capricórnio da noite
e fazer o que fez a sua vó outro dia,
antes que o gerador a óleo disel fosse desligado,
"Se não tirá pedaço, se soma à pele;
Afina o tato diacho!"

Maduro...

Quem amadurece demais apodrece!

Pessoalmente gosto de fruta com sal,
bem inchada,
azeda que contrai o corpo,
adormece os dentes
e fortalece a alma.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Adiosnísio

Introdução

Musiquinha de fundo para Dionísio vir lá do fundo em ritmo de funk:

a primeira faz BRO!
a segunda faz CHAN!
e TE, TE, TE, TEEEEE... FODE!

Desenvolvimento

João, sem qualquer fantasia, encontra Maria vestida de tartaruga ninja azul no carnaval:

- Olá meu amorzinho!
- Que nada maluco! Amorzinho de carnaval de cu é rola!
E novamente ao som de funk João responde:
- AN-HAN, AN-HAN, AN-HAN! DÁ, DÁ, DÁ!?
- Toma esse beijinho e despacha logo daqui. Carnaval é solidão coletiva, liberdade carnal e para isso vale tudo nos quatro dias. E continua explicando Maria:
Pode mandar a consciência desfilar nua e de quatro;
Pode trepar com as pedras que haviam no meio do caminho;
Pode gerar atritos sem leis e quaisquer delays de efeito e causa;
Pode beijar em nome do pop, do fino e do espeto de frango;
Pode se engolir todas as chuvas de sapos de São Pedro.

Conclusão

Até as putas que um dia nos empareou têm coragem de mandar vários Nós-de-361-dias pegarem os sabonetes deixados no chão das próprias prisões.
À todas as tartarugas ninjas foragidas da Sala da Justiça, minhas últimas palavras para os seus próximos, mais de quatrocentos menos quarenta, dias de volta ao esgoto:

"EU ACHO É POUCO É BOM DEMAIS!"

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

...Tom.

Violeta,

Tenho sede de pressa
Mas o Branco me diz que devo esperar pelo Azul
mesmo que ainda esteja verde
encaracolado entre cachos vermelhos recém-pintados.

Todo fruto tem seu tempo para por o pé no chão.
Todo fruto tem seu tempo para por o pé no céu.
Principalmente aqueles que têm medo de alimentar as suas certezas...

Deixemos que se nutram de falsas liberdades e de belas mentiras
para que aprendam a desenhar a história das próprias verdades.

A natureza desde de sempre já gritará:
Vermelho! Violeta com verde,
mais dia ou menos dia,
Será azul.

Está claro ou mais escuro?

"Tudo" é uma questão de TOM.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Mandala

Mandala azul celeste
Olha
que aonde estou não estou na sua frente.

Olha eu aqui em cima!
É aqui que eu habito,
no seu céu,
colhendo com dedo frutos tirados do pé.

Para chegar Aqui
tive que passar Por-dentro-de-mim,
inclusive pelas formigas e excessos de galhos,
tive que usar a minha mão-natureza...
A velha escada da casa-da-árvore.

Aqui se larga o prato, o garfo e a faca.
Aqui se chupa manga com leite, casca, cabelo e caroço.
Aqui se vive o cheiro ainda verde de tudo que há aqui.

Aqui meu chão caminha junto com o seu espaço,
Aqui sei o que não chega e o que sai dos meus poros
...
um cheiro salgadim, dim-dim de saudade,
um beijo docim, sim-sim de dedão
polegar
...
bem bem bem...
tocado!
Que quando indicar a testa do seu céu,
apontará à entrada da noite
...
o centro de uma ampulheta de energia
que passa
sem areia
sutil
...
Toma mandala azul celeste
um pouco de chuva-de-estrela
de minha energia em querer a...
mar
...
permita-me lu-bri-ficar o hímen da tua liberdade
onde nada,
somente a lembrança do tato,
saberá que um dia um certo anjo do céu
se precipitou,
rompeu
e derramou lágrimas brancas
em letras vermelhas
sobre o seu olhar azul celeste
para
Aqui
silenciar
o além

de você

em você
em paz

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Açude de oceanos...

Misterioso?

Índico,
negro, judeu...
sou obrigado a ser anjo
a preservar a pureza descrente do
ser
Seu passado
um raro objeto que se foi...
perdido
no cofre de mais um
templo, campo, navio
de guerra
naufragado.

Morreram todos,
comandantes e vírus,
nós,
caracóis indigentes,
submersos no inconsciente...
abismo glacial
coletivo.

Ciclo...

e só por isso
vida

ainda
cromo...
Somos recifes de corais
seres participantes do
ecossistema
na imensidão do Atlântico,
porto natural
anti-sistema,
açude de oceanos,
pacífico.